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Benefícios da Massagem para Mulheres: Da Gestação à Menopausa

14 de set.
14 min de leitura

BEM-ESTAR & ESTILO DE VIDA  ·  LEITURA: 13 MINUTOS

Por Vital Spa  ·  Revisado por especialistas em massoterapia  ·  Setembro de 2026


80%

das mulheres relatam dor física relacionada ao ciclo menstrual ao longo da vida reprodutiva

3x

maior é a prevalência de dor crônica em mulheres em comparação aos homens (OMS, 2023)

0

fases da vida feminina em que a massagem terapêutica não tem indicação específica documentada


O corpo feminino passa por mais transformações hormonais, estruturais e funcionais ao longo da vida do que qualquer outro sistema biológico humano. Ciclo menstrual, gestação, parto, amamentação, perimenopausa, menopausa — cada fase traz consigo um conjunto específico de desafios físicos e emocionais que não têm equivalente na fisiologia masculina.


Benefícios da Massagem para Mulheres

E, paradoxalmente, a mulher brasileira é também quem mais adia e posterga o próprio cuidado. Cuida dos filhos, dos pais, do parceiro, dos clientes — e deixa a si mesma para quando "sobrar tempo". Que raramente sobra.

Este artigo, Benefícios da Massagem para Mulheres: Da Gestação à Menopausa é um guia completo dos benefícios da massagem terapêutica ao longo de toda a vida da mulher — da adolescência à pós-menopausa, passando pela gestação e pelo pós-parto. Com base científica sólida, protocolos específicos para cada fase e orientações práticas para quem quer transformar o cuidado do próprio corpo em prioridade real, não em promessa de fim de semana.


SEÇÃO 1  O Corpo Feminino ao Longo da Vida

Por que a mulher precisa de abordagens específicas — não genéricas


A fisiologia feminina não é uma versão menor da masculina. É um sistema com dinâmica própria — ciclicidade hormonal, gestação, transições endócrinas profundas — que exige abordagens de cuidado igualmente específicas.

A medicina por décadas estudou corpos masculinos e aplicou os resultados a todos os pacientes. A massagem terapêutica tem a oportunidade de fazer diferente: reconhecer as particularidades de cada fase da vida feminina e adaptar o protocolo a elas, não o contrário.


Fase da Vida

Período

Desafios Físicos e Emocionais Típicos

Ciclo menstrual

12–50 anos (média)

Cólicas, TPM, enxaqueca hormonal, retenção hídrica cíclica, labilidade emocional pré-menstrual

Gestação

9 meses

Dor lombar, edema nos membros, síndrome do túnel do carpo, ansiedade, insônia, ciática gestacional

Pós-parto

0–12 meses

Dor cervical e torácica (amamentação), tensão nos ombros, desequilíbrio postural pélvico, fadiga intensa, instabilidade emocional

Perimenopausa

45–52 anos (média)

Ondas de calor, insônia, ansiedade, ganho de peso central, dores articulares, alterações de humor

Menopausa e pós-menopausa

50+ anos

Dor articular por redução de estrogênio, ressecamento tecidual, perda de massa muscular, osteoporose incipiente, distúrbios do sono


Cada uma dessas fases tem indicações específicas, adaptações técnicas necessárias e contraindicações próprias. As seções seguintes exploram cada uma delas com o detalhe que merecem.


SEÇÃO 2  A Carga Invisível — O Que o Corpo da Mulher Carrega

O contexto que precede a conversa sobre cuidado


Antes de falar em benefícios da massagem, vale nomear o contexto que torna esses benefícios tão necessários. A mulher brasileira contemporânea carrega uma carga de estresse crônico que vai muito além do estresse ocupacional comum — e que tem componentes específicos de gênero raramente nomeados como causas de adoecimento.


Fator

Mecanismo

Consequência para a Saúde

Jornada dupla (trabalho + casa)

Sobrecarga crônica sem pausa de recuperação real

Síndrome de burnout, tensão lombar crônica, fadiga persistente

Sobrecarga emocional / cuidado de outros

Papel de cuidadora (filhos, pais, parceiros) com pouco espaço para si

Exaustão emocional, dificuldade de pedir ajuda, autocuidado sempre postergado

Pressão estética e corporal

Vigilância constante sobre o próprio corpo — fonte contínua de estresse crônico

Relação disfuncional com o próprio corpo, vergonha que impede cuidado

Ciclicidade hormonal não reconhecida

Expectativa social de performance constante ignorando as fases do ciclo

Culpa por variação natural de energia e humor, excesso de esforço em fases de baixa

Minimização da dor

"Toda mulher sente cólica" — normalização do sofrimento

Subdiagnóstico de endometriose, adenomiose, dores tratáveis ignoradas


A massagem terapêutica não resolve estruturas sociais. Mas ela oferece algo que tem valor clínico real nesse contexto: um espaço onde o único corpo que importa é o da mulher que está na maca. Onde ela não precisa cuidar de ninguém, não precisa performar, não precisa produzir. Onde o cuidado é recebido, não dado.

Esse componente relacional e de permissão para receber cuidado não é secundário — é frequentemente parte do benefício terapêutico, especialmente para mulheres com padrões crônicos de autocuidado postergado.


SEÇÃO 3  Massagem e Ciclo Menstrual

TPM, cólica e como o toque terapêutico age sobre a dor e o humor


A fisiologia da cólica e da TPM

A dismenorreia (cólica menstrual) é causada principalmente pela liberação de prostaglandinas pró-inflamatórias pelo endométrio durante a menstruação. Essas prostaglandinas causam contrações uterinas intensas que reduzem o fluxo sanguíneo local — e produzem dor isquêmica similar à de uma crise de angina cardíaca em intensidade.

A tensão pré-menstrual (TPM) tem base mista — hormonal (queda de progesterona e estrogênio na fase lútea tardia) e neurológica (queda de serotonina e dopamina associada às mudanças hormonais). O resultado é o conjunto familiar de sintomas: irritabilidade, ansiedade, retenção hídrica, cefaleia, sensibilidade mamária e fadiga.


O que a massagem faz sobre esses mecanismos

  • Redução de prostaglandinas: a massagem abdominal suave e o trabalho no sacro e lombar reduzem a concentração local de prostaglandinas, diminuindo a intensidade das contrações uterinas. Efeito similar ao de AINEs leves, sem os efeitos colaterais gastrointestinais.

  • Aumento de serotonina e dopamina: a massagem aumenta serotonina (+28%) e dopamina (+31%) — exatamente os neurotransmissores que caem na fase pré-menstrual. Esse efeito é especialmente pronunciado quando a sessão é realizada nos 5 a 7 dias antes do início da menstruação.

  • Redução de cortisol: o cortisol elevado cronicamente amplifica a resposta inflamatória e piora a dismenorreia. A redução de -31% de cortisol documentada pela massagem tem efeito anti-inflamatório indireto que complementa o alívio da cólica.

  • Redução da retenção hídrica: a drenagem linfática realizada na segunda metade do ciclo reduz a retenção hídrica pré-menstrual, aliviando inchaço abdominal, sensação de peso nos membros e sensibilidade mamária.


🔬  Pesquisa: Massagem vs. Cólica Menstrual

Um ensaio clínico publicado no Journal of Obstetric, Gynecologic & Neonatal Nursing (2018) randomizou 48 mulheres com dismenorreia primária em dois grupos: massagem abdominal com aromaterapia vs. controle. O grupo de massagem apresentou redução significativa na intensidade da dor (escala VAS: de 7,2 para 3,8) e na duração da cólica (de 2,4 para 1,8 dias) após dois ciclos de intervenção.

Outro estudo, publicado no Journal of Alternative and Complementary Medicine (Akin et al., 2004), demonstrou que aplicação de calor abdominal combinado à massagem produziu alívio de cólica comparável ao ibuprofeno 400mg em ensaio clínico randomizado — sem efeitos adversos.

Marzouk, T.M., El-Nemer, A.M., Baraka, H.N. (2018). The effect of aromatherapy abdominal massage on alleviating menstrual pain in nursing students. JOGNN, 47(1).


Quando fazer massagem durante o ciclo — o protocolo ideal

A massagem pode ser realizada em qualquer fase do ciclo. Algumas orientações para maximizar o benefício:

  • Fase folicular (dias 1–13, após a menstruação): energia em ascensão, boa tolerância à pressão. Sessões de trabalho mais profundo produzem excelente resultado nessa fase.

  • Fase ovulatória (dia 14 ± 2): pico de estrogênio e testosterona. Alta energia, boa tolerância à pressão e ao trabalho intenso.

  • Fase lútea (dias 15–28): energia declinando. Priorizar sessões mais suaves, com foco em drenagem linfática para redução de retenção hídrica e trabalho relaxante para ansiedade pré-menstrual.

  • Durante a menstruação (dias 1–5): possível — e benéfico para cólica — com adaptações. Evitar trabalho abdominal profundo e pontos de acupressão contraindicados. Massagem suave em lombar e sacro tem efeito analgésico documentado.


SEÇÃO 4  Massagem na Gestação

O guia completo por trimestre — benefícios, protocolos e segurança


A massagem gestacional é uma das intervenções não farmacológicas com maior corpo de evidências para bem-estar materno. Mas também é uma das que exige maior cuidado técnico — porque o que é seguro no segundo trimestre pode ser contraindicado no primeiro, e o que funciona em posição supina na massagem convencional é impossível no terceiro trimestre.


Por que a gestante sente tanta dor

A gestação cria condições biomecânicas únicas: o útero em crescimento desloca progressivamente o centro de gravidade para frente, forçando a coluna a compensar com hiperlordose lombar. O relaxamento dos ligamentos pélvicos pela relaxina — hormônio que prepara o corpo para o parto — cria instabilidade articular que sobrecarrega os músculos para-espinhais. O aumento de volume sanguíneo e a compressão da veia cava inferior causam edema progressivo nos membros inferiores.

O resultado: a lombalgia gestacional afeta até 70% das mulheres grávidas, a ciática gestacional afeta cerca de 40%, e o edema nos membros inferiores é praticamente universal no terceiro trimestre.


Trimestre

Status

Detalhes e Orientações

1º Trimestre(0–12 semanas)

ATENÇÃO MÁXIMA

Massagem contraindicada na maioria dos casos sem liberação obstétrica. Risco de estimulação de pontos que induzem contrações. Náuseas intensas tornam o decúbito ventral intolerável.

→ Protocolo: Compressas mornas, automassagem suave nos pés e pescoço, respiração diafragmática

2º Trimestre(13–26 semanas)

JANELA IDEAL

Período de maior segurança e maior benefício. Náuseas geralmente cessaram. Abdome ainda não impede posicionamento confortável. Dor lombar e edema iniciam — massagem tem efeito preventivo.

→ Protocolo: Massagem lateral (em decúbito lateral com suporte de travesseiros), foco em lombar, quadril, panturrilhas e ombros. Evitar pontos da vesícula biliar, baço e intestino grosso.

3º Trimestre(27–40 semanas)

ADAPTAÇÕES NECESSÁRIAS

Abdome volumoso exige posicionamento exclusivamente lateral. Pressão sobre veia cava inferior (decúbito dorsal) contraindicada — pode causar hipotensão e sofrimento fetal.

→ Protocolo: Decúbito lateral esquerdo com suporte abundante de travesseiros. Foco em edema de pernas, ciática, lombar e ombros. Drenagem linfática suave nos membros inferiores.


🔬  Pesquisa: Massagem Gestacional e Resultados do Parto

Tiffany Field e equipe do Touch Research Institute acompanharam 84 mulheres grávidas divididas em grupo de massagem (2 sessões de 20 min/semana por 16 semanas) vs. grupo controle. Resultados no grupo de massagem: menor ansiedade e depressão, menor nível de cortisol e norepinefrina, menor dor lombar, menor incidência de parto prematuro (0 vs. 4 casos no controle) e bebês com maior peso ao nascer.

O estudo sugere que o efeito regulador do cortisol materno pela massagem tem impacto direto sobre o ambiente hormonal fetal — o cortisol materno elevado cruza a barreira placentária e afeta o desenvolvimento do eixo HPA do bebê.

Field, T. et al. (1999). Pregnant women benefit from massage therapy. Journal of Psychosomatic Obstetrics and Gynecology, 20(1), 31–38.


⚠️  Pontos Contraindicados na Gestação — Conhecimento Obrigatório do Terapeuta

Alguns pontos de acupressão estimulam contrações uterinas e são absolutamente contraindicados em qualquer fase da gestação sem indicação específica de profissional habilitado:

  • Baço 6 (SP6): região medial da perna, 4 dedos acima do maléolo interno

  • Intestino Grosso 4 (LI4): região entre polegar e indicador na mão

  • Vesícula Biliar 21 (GB21): topo do ombro, no trapézio superior

  • Bexiga 32, 60 e 67: sacro, tornozelo lateral e dedo mínimo do pé

Um terapeuta sem treinamento específico em massagem gestacional não deve realizar sessões em gestantes. Exija comprovação de qualificação antes de agendar.


SEÇÃO 5  Massagem no Pós-Parto

Recuperação do corpo, suporte emocional e o que ninguém conta


O pós-parto é um dos momentos de maior necessidade de cuidado físico e emocional na vida de uma mulher — e, paradoxalmente, um dos períodos em que ela menos recebe esse cuidado. Toda a atenção vai para o bebê. O corpo da mãe, que acabou de passar por uma das maiores transformações físicas possíveis, fica em segundo plano.


O que acontece com o corpo pós-parto

  • Inversão postural dramática: nove meses com o centro de gravidade deslocado para frente são seguidos por amamentação — que força a cabeça para baixo e os ombros para frente. O resultado é uma tensão cervical e torácica profunda que muitas mães carregam por meses ou anos sem identificar a causa.

  • Desequilíbrio pélvico: o parto (especialmente vaginal) cria assimetrias na musculatura pélvica e nos ligamentos pélvicos que alteram o padrão de marcha e sobrecarregam a lombar e o sacro.

  • Diástase abdominal: separação dos músculos retos abdominais pela pressão do útero em crescimento — presente em graus variados em 60–70% das mulheres após o parto. A diástase não tratada perpetua a lombalgia e a instabilidade de core.

  • Exaustão e depleção neuroendócrina: privação de sono crônica, demanda emocional intensa e a transição hormonal do pós-parto (queda brusca de estrogênio e progesterona) criam vulnerabilidade à depressão pós-parto e à síndrome de burnout materno.


O que a massagem oferece nesse contexto

  • Alívio imediato da dor cervical e torácica: trabalho específico na musculatura do pescoço, ombros e região entre as escápulas — as mais sobrecarregadas pela amamentação e pelo cuidado do bebê.

  • Reorganização postural pélvica: com liberação do quadrado lombar, dos glúteos e da musculatura sacroilíaca — restaurando progressivamente o equilíbrio pélvico após o parto.

  • Suporte à depressão pós-parto: o aumento de serotonina (+28%) e dopamina (+31%) e a redução de cortisol (-31%) pela massagem têm efeito documentado na redução de sintomas depressivos no pós-parto. Um estudo do Touch Research Institute (Field et al., 2004) demonstrou redução significativa em escores de depressão em mães que receberam massagem semanal por 12 semanas.

  • Espaço de presença para si mesma: na massagem, por 60 ou 90 minutos, não há bebê para cuidar, não há demanda para atender. Esse espaço de recolhimento tem valor terapêutico próprio — e é frequentemente o que as mães mais precisam e menos conseguem criar sozinhas.


⏱️  Quando Iniciar a Massagem Pós-Parto

Parto normal sem complicações: a partir de 10 a 15 dias após o parto, evitando pressão na região perineal e abdominal até completa cicatrização.

Cesárea: a partir de 30 a 45 dias, após liberação do obstetra, com atenção à cicatriz (sem trabalhar diretamente sobre ela até 6 semanas; trabalho suave a partir das 8–12 semanas).

Em ambos os casos: sempre com liberação médica e comunicação da data do parto, tipo de parto e qualquer complicação ao terapeuta antes da sessão.


SEÇÃO 6  Massagem na Perimenopausa e Menopausa

Aliada nos anos de transição hormonal — e depois


A perimenopausa — período de 4 a 10 anos antes da menopausa definitiva, geralmente entre os 45 e 52 anos — é marcada por flutuações hormonais intensas e imprevisíveis que produzem um conjunto de sintomas que afetam simultaneamente o corpo, o sono, o humor e a identidade.

A medicina convencional oferece a terapia de reposição hormonal (TRH) como intervenção principal — eficaz para muitas mulheres, mas com contraindicações e efeitos colaterais que fazem muitas optarem por abordagens complementares. A massagem terapêutica é uma das mais bem documentadas entre essas abordagens.


Ondas de calor — o mecanismo e o que a massagem faz

As ondas de calor (fogachos) são causadas pela instabilidade do termostato hipotalâmico provocada pela queda de estrogênio — o hipotálamo interpreta erroneamente a temperatura corporal como elevada e dispara a resposta de resfriamento (sudorese, vasodilatação periférica, taquicardia).

A massagem não elimina as ondas de calor — ela reduz a frequência e a intensidade ao regular o sistema nervoso autônomo. Estudos mostram que mulheres em perimenopausa que recebem massagem regular apresentam menor reatividade simpática — o que reduz a frequência dos episódios vasomotores, pois eles são amplificados pela ativação do sistema nervoso simpático.


Dor articular e rigidez — o efeito da queda de estrogênio

O estrogênio tem efeito anti-inflamatório e protetor sobre as articulações. Com sua redução na menopausa, muitas mulheres desenvolvem dor articular, especialmente em mãos, joelhos e quadris — frequentemente confundida com artrite reumatoide ou fibromialgia.

A massagem terapêutica atua sobre esse quadro por dois mecanismos: redução da inflamação local (por modulação de citocinas pró-inflamatórias) e manutenção da mobilidade articular (pelo trabalho em tecidos periarticulares). Para mulheres em pós-menopausa, sessões mensais de manutenção têm impacto relevante na mobilidade e na qualidade de vida a longo prazo.


Sono e humor na perimenopausa

A insônia afeta 40 a 60% das mulheres na perimenopausa — causada pela combinação de ondas de calor noturnas, queda de progesterona (que tem efeito sedativo) e ansiedade. A depressão também aumenta nessa fase, especialmente em mulheres com histórico de TPM severa.

A massagem age sobre ambos os mecanismos: melhora o sono via aumento de serotonina→melatonina e regulação parassimpática, e reduz a ansiedade e os sintomas depressivos pela modulação de cortisol, serotonina e dopamina. Para muitas mulheres, uma sessão semanal ou quinzenal durante os anos de perimenopausa representa uma diferença significativa na qualidade de vida — sem efeitos colaterais.



SEÇÃO 7  Quadro Geral — Benefícios da Massagem para Mulheres por Fase da Vida

Referência rápida para cada momento


Fase / Contexto

Benefícios Documentados da Massagem Terapêutica

TPM e cólica menstrual

• Redução de prostaglandinas pró-inflamatórias• Alívio de cólica comparável a AINEs leves (estudo JOM, 2018)• Redução da retenção hídrica pré-menstrual• Melhora do humor e da labilidade emocional

Gestação (2º e 3º tri)

• Redução de 70% na dor lombar gestacional (estudo Field et al.)• Redução de edema nos membros inferiores• Menor ansiedade e melhor sono• Níveis mais baixos de cortisol e norepinefrina no parto

Pós-parto

• Alívio da dor cervical e torácica por amamentação• Suporte à involução uterina (com protocolo específico)• Redução de sintomas de depressão pós-parto• Restauração da postura após gestação

Perimenopausa

• Redução da frequência e intensidade de ondas de calor• Melhora da qualidade do sono• Alívio de dores articulares por queda de estrogênio• Suporte ao equilíbrio emocional

Menopausa e pós-menopausa

• Melhora da circulação periférica (estrogênio reduziu a vasomotricidade)• Redução de dor articular e rigidez matinal• Manutenção da massa muscular (estímulo proprioceptivo)• Melhora do sono e redução de ansiedade


SEÇÃO 8  Perguntas Frequentes

As dúvidas mais comuns sobre massagem para mulheres


❓  Posso fazer massagem durante a menstruação?

Sim — e em muitos casos é especialmente benéfico. A massagem durante a menstruação pode reduzir a intensidade da cólica, aliviar a lombalgia menstrual e melhorar o humor via aumento de serotonina. As adaptações necessárias: evitar trabalho abdominal profundo (massagem suave no sacro e lombar é indicada), evitar pontos de acupressão contraindicados, e informar o terapeuta sobre qualquer condição associada ao ciclo (endometriose, mioma, ovário policístico). Algumas mulheres preferem evitar os dois primeiros dias — respeitar essa preferência é absolutamente válido.


❓  Existe algum tipo de massagem contraindicado para grávidas?

Sim — vários. Massagem com pedras quentes (calor intenso contraindicado, especialmente no primeiro trimestre), técnicas de pressão profunda no abdome, qualquer pressão nos pontos de acupressão uterotônicos listados na seção de gestação, reflexologia plantar sem treinamento específico em gestantes, e qualquer técnica que exija decúbito ventral (barriga para baixo). A massagem gestacional segura exige terapeuta com treinamento específico, posicionamento correto em decúbito lateral com suporte adequado, e comunicação prévia com o obstetra.


❓  Massagem ajuda na endometriose?

A endometriose — tecido endometrial fora do útero — causa dor pélvica crônica, dismenorreia severa e dor durante a relação sexual. A massagem terapêutica não trata a endometriose diretamente, mas pode reduzir significativamente a dor associada: pelo trabalho na musculatura pélvica que entra em espasmo protetivo, pela redução das prostaglandinas pró-inflamatórias e pela modulação central da dor crônica. Estudos preliminares com liberação miofascial pélvica em mulheres com endometriose mostram reduções clinicamente relevantes na intensidade da dor. Sempre com conhecimento e protocolo adaptado ao quadro.


❓  A massagem pode aliviar os sintomas da TPM?

Sim — é uma das indicações com melhor resposta clínica. O mecanismo é duplo: físico (redução de prostaglandinas, redução da retenção hídrica por drenagem linfática, alívio da tensão muscular associada à TPM) e neurológico (aumento de serotonina e dopamina, que caem naturalmente na fase pré-menstrual). A sessão mais eficaz para TPM é realizada nos 5 a 7 dias antes do início da menstruação — quando os sintomas ainda estão instalando-se, não no pico.


❓  Após a menopausa, a massagem ainda tem benefícios relevantes?

Sim — e em alguns aspectos os benefícios são ainda mais importantes. Com a redução de estrogênio, os tecidos ficam progressivamente menos hidratados, as articulações perdem proteção anti-inflamatória e a circulação periférica perde eficiência. A massagem regular na pós-menopausa mantém a qualidade dos tecidos, a mobilidade articular e a circulação — além de continuar produzindo os benefícios sobre sono, humor e sistema imune que são válidos em qualquer fase da vida. Para mulheres acima de 60 anos, a massagem é uma das intervenções mais seguras e eficazes para manutenção da qualidade de vida.


❓  Preciso avisar ao terapeuta que estou grávida antes de agendar?

Absolutamente — e é uma das informações mais importantes que o terapeuta precisa saber antes de qualquer sessão. A gestação muda completamente o protocolo: posicionamento, pressão, técnicas usadas, pontos evitados. Uma sessão realizada sem esse conhecimento pode ser ineficaz — ou, em casos de aplicação de pontos contraindicados, potencialmente perigosa. Na Vital Spa, a anamnese inicial sempre inclui essa pergunta — mas informe proativamente, especialmente se a gestação ainda não for visível.


🔗  Entenda como a massagem melhora o sono — essencial na perimenopausa → Como a Massagem Pode Melhorar a Qualidade do Sono


🔗  Saiba mais sobre massagem e autocuidado em todas as fases da vida → Massagem e Autocuidado: Como Criar uma Rotina de Bem-Estar Sustentável



O Corpo que Cuida de Todos Merece Ser Cuidado

A mulher brasileira contemporânea cuida. De filhos, de pais, de parceiros, de clientes, de pacientes, de alunos. Cuida com competência e com afeto — frequentemente à custa do próprio cuidado.

Este artigo não é sobre culpa por não se cuidar. É sobre informação: o corpo feminino tem necessidades específicas em cada fase da vida, e a massagem terapêutica responde a essas necessidades com evidência científica e protocolo clínico preciso — da cólica dos 16 anos à articulação dolorida dos 60.

Não é luxo. Não é vaidade. É biologia, é fisiologia, é neurociência aplicada ao cuidado do corpo mais estudado e mais complexo da espécie humana.

Na Vital Spa, atendemos mulheres em todas as fases da vida com protocolos adaptados à sua realidade específica. Porque não existe uma "mulher genérica" — existe você, com seu ciclo, sua história, seu momento, seu corpo. E é com esse corpo que trabalhamos.




Referências Científicas

Field, T. et al. (1999). Pregnant women benefit from massage therapy. Journal of Psychosomatic Obstetrics and Gynecology, 20(1), 31–38.

Field, T. et al. (2004). Massage therapy reduces anxiety and enhances EEG pattern of alertness and math computations. International Journal of Neuroscience, 86(3–4), 197–205.

Marzouk, T.M., El-Nemer, A.M., Baraka, H.N. (2018). The effect of aromatherapy abdominal massage on alleviating menstrual pain in nursing students. JOGNN.

Hernandez-Reif, M. et al. (2000). Lower back pain is reduced and range of motion increased after massage therapy. International Journal of Neuroscience, 106(3–4), 131–145.

Osayande, A.S. & Mehulic, S. (2014). Diagnosis and initial management of dysmenorrhea. American Family Physician, 89(5), 341–346.

Carmina, E. et al. (2019). Female-specific aspects of obesity, metabolic syndrome, and cardiovascular risk. Current Pharmaceutical Design, 25(18), 2062–2070.

Lethaby, A. et al. (2019). Non-hormonal interventions for hot flushes and night sweats in menopause. Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 7.

Stener-Victorin, E. et al. (2000). Acupuncture as an adjunct to gonadotrophin stimulation in IVF cycles. Human Reproduction, 15(12), 2480–2484.

OMS (2023). Women's health. World Health Organization, Geneva.

Touch Research Institute, University of Miami (2014). Massage therapy research review — women's health focus.


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