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Massagem e Autocuidado: Como Criar uma Rotina de Bem-Estar Sustentável

20 de ago.
15 min de leitura

Atualizado: 1 de set.

BEM-ESTAR & ESTILO DE VIDA  ·  LEITURA: 12 MINUTOS

Por Vital Spa  ·  Revisado por especialistas em massoterapia  ·  Março de 2026


77%

dos brasileiros relatam sintomas físicos causados por estresse crônico (ISMA-BR, 2023)

1 em 3

pessoas nunca praticou nenhuma forma consistente de autocuidado ao longo da vida adulta

21 dias

tempo médio para consolidar um novo hábito — mas apenas se a rotina for realista



Massagem e Autocuidado: Como Criar uma Rotina de Bem-Estar Sustentável

Autocuidado virou palavra de ordem. Está em posts de Instagram, capas de revista, campanhas de marca. E, paradoxalmente, quanto mais o conceito se populariza, menos ele parece ajudar as pessoas que mais precisam dele.

Porque autocuidado real não é uma bolha de banho. Não é uma semana de retiro espiritual a cada dois anos. Não é o episódio heroico de quem finalmente "parou tudo" e foi se cuidar. Essas coisas podem ser boas — mas são episódicas. E o que o corpo precisa não é episódico: é consistente.

Autocuidado sustentável é o conjunto de práticas pequenas, regulares e integráveis à vida real que impedem o acúmulo crônico de estresse, tensão muscular, desequilíbrio nervoso e fadiga. Não precisa ser perfeito. Precisa ser contínuo.

A massagem terapêutica regular é um dos pilares mais eficazes dessa rotina — não como luxo pontual, mas como intervenção de manutenção sistemática, da mesma forma que a academia, a nutrição e o sono são tratados por quem leva a saúde a sério. Este artigo mostra como construir essa rotina de forma realista, com a massagem no lugar certo dentro dela.


SEÇÃO 1  O Que é Autocuidado de Verdade

Separando o essencial do cosmético


Antes de falar em rotina, vale definir com precisão o que autocuidado é — e o que não é.

A Organização Mundial da Saúde define autocuidado como "a capacidade de indivíduos, famílias e comunidades de promover saúde, prevenir doenças, manter saúde e enfrentar doenças e incapacidade, com ou sem suporte de um profissional de saúde". É uma definição funcional — autocuidado é o que você faz pela sua saúde, não o que sente em momentos de conforto.

Isso significa que autocuidado inclui coisas que não parecem glamourosas: dormir no horário quando a série ainda não acabou, recusar compromissos que ultrapassam a capacidade de recuperação, dizer não de forma consistente, manter a hidratação em dias de trabalho intenso. E também inclui coisas que parecem luxo mas são intervenção clínica real: massagem regular, meditação, fisioterapia preventiva.


Massagem e Autocuidado - Os quatro pilares de uma rotina de bem-estar real


🧠  Mente

Gestão do estresse e das emoções. Não eliminar o estresse — aprender a processar e recuperar.

💪  Corpo

Movimento, nutrição e recuperação muscular. O corpo é o instrumento de tudo que fazemos.

😴  Sono

Não é passivo. O sono é quando o sistema nervoso consolida, o corpo repara e o metabolismo regula.

🌿  Ambiente

O contexto físico e social que envolve a vida. Difícil cuidar de si em ambientes cronicamente tóxicos.


A massagem terapêutica atua simultaneamente em três desses quatro pilares: corpo (tensão muscular e circulação), mente (cortisol, serotonina, ativação parassimpática) e sono (melhora documentada das fases profundas). É uma das intervenções de autocuidado com maior retorno por unidade de tempo — e por isso merece um lugar fixo na rotina, não um espaço eventual quando "sobrar tempo".


SEÇÃO 2  Por Que as Rotinas de Bem-Estar Falham

Os erros mais comuns — e como evitá-los


A maioria das tentativas de criar uma rotina de autocuidado falha não por falta de vontade — mas por erros de design. A rotina foi construída de forma que não resiste ao contato com a vida real.


Erro 1: A rotina ideal em vez da rotina possível

A armadilha mais comum: criar a rotina perfeita para uma versão ideal de si mesmo — que acorda às 5h30, medita 20 minutos, treina 1 hora, prepara refeição saudável, hidrata 3 litros, dorme exatamente 8 horas. Essa rotina não sobrevive à primeira semana intensa de trabalho. E quando falha, a pessoa interpreta o colapso como fraqueza pessoal — não como falha de design.

A rotina sustentável é a mais simples que ainda produz resultado. Cinco minutos de respiração diafragmática diária é mais eficaz do que 30 minutos de meditação praticados uma vez por mês. Uma sessão de massagem mensal é mais eficaz do que uma semana de spa anual.


Erro 2: Tratar o autocuidado como recompensa, não como manutenção

"Vou me cuidar quando terminar esse projeto." "Quando as coisas acalmarem, vou fazer massagem." "Nas férias eu cuido de mim."

Essa lógica garante que o autocuidado sempre cede diante de qualquer demanda externa — porque sempre haverá outro projeto, outra urgência, outro motivo para adiar. E o corpo acumula, session a session, o custo dessa lógica em tensão crônica, insônia e adoecimento.

Autocuidado não é recompensa por produtividade. É pré-condição dela. O atleta não treina e depois descansa — descansa para treinar melhor. O mesmo princípio se aplica a qualquer pessoa que precise performar consistentemente ao longo do tempo.


Erro 3: Ignorar os sinais do corpo até o colapso

O corpo avisa antes de colapsar. Ele avisa com dificuldade de adormecer apesar do cansaço. Com aquela dor na cervical que "está lá faz tempo". Com a sensação de estar sempre no limite, sem reserva para imprevistos. Com infecções recorrentes que "devem ser falta de vitamina".

Esses sinais não são coincidência ou azar. São comunicação. E ignorá-los até que se tornem sintomas sérios é o equivalente a ignorar o óleo do carro até que o motor queime — e então pagar muito mais para consertar o que a manutenção teria prevenido por uma fração do custo.


🔬  A Neurociência dos Hábitos de Autocuidado

Hábitos se formam por repetição que cria trilhas neurais — conexões sinápticas que se fortalecem a cada vez que o comportamento é repetido. O processo envolve três componentes: gatilho (o que dispara o comportamento), rotina (o comportamento em si) e recompensa (o que o cérebro aprende a antecipar).

A pesquisa de Phillippa Lally (University College London, 2010) acompanhou 96 pessoas tentando criar novos hábitos por 12 semanas. Conclusão: o tempo médio para um hábito se tornar automático é de 66 dias — não 21, como a crença popular sugere. E a consistência importa mais do que a perfeição: perder um dia não prejudicou significativamente a formação do hábito, mas perder múltiplos dias consecutivos sim.

Lally, P. et al. (2010). How are habits formed: modelling habit formation in the real world. European Journal of Social Psychology, 40(6), 998–1009.


SEÇÃO 3  Os Sinais de Que Seu Corpo Está Pedindo Cuidado

O que observar antes de esperar o colapso


Reconhecer os sinais precoces é a competência mais valiosa de autocuidado. Ela transforma a relação com o próprio corpo de reativa para preventiva — e reduz dramaticamente o custo pessoal e financeiro do cuidado.


Sinal

Frequência de Alerta

O Que Pode Indicar

Acordar já cansado

Diário / persistente

O sono não está restaurador — sistema nervoso sobrecarregado

Dor de cabeça frequente sem causa orgânica

2+ vezes por semana

Tensão muscular cervical e do couro cabeludo cronificada

Irritabilidade desproporcional

Persistente

Limiar de tolerância ao estresse esgotado — reserva emocional vazia

Dificuldade de concentração e memória

Progressiva

Cortisol elevado cronicamente afeta o hipocampo e a função executiva

Dores musculares sem causa de esforço

Persistente

Tensão crônica instalada — o corpo acumulou o que a mente não processou

Ansiedade de fundo constante

Persistente

Sistema nervoso simpático cronicamente ativado — sem pausas de recuperação

Queda de imunidade — infecções recorrentes

Mais de 4/ano

Cortisol suprime o sistema imune — corpo priorizando "sobrevivência" sobre defesa

Dificuldade para relaxar mesmo em férias

Observado nas pausas

O sistema nervoso perdeu a capacidade de desacelerar voluntariamente


Mais de 3 desses sinais presentes de forma consistente indicam que o sistema está além da capacidade de recuperação espontânea — e que uma intervenção estruturada é necessária, não apenas "tentar descansar mais no fim de semana".


SEÇÃO 4  Massagem como Pilar de Manutenção

Preventiva vs. reativa — a diferença em números


A maioria das pessoas só vai à massagem quando a dor já é insuportável ou a tensão já é visível a olho nu. Esse padrão reativo é compreensível — mas é o mais caro e o menos eficaz dos dois modelos.


Dimensão

✦ Massagem Preventiva

⚡ Massagem Reativa

Momento da intervenção

Antes dos sintomas se instalarem

Quando a dor/tensão já é intensa

Número de sessões necessárias

1 a 2 sessões por mês

4 a 8 sessões para resolver o quadro

Custo total

Menor — manutenção é mais barata que tratamento

Maior — mais sessões por ciclo

Qualidade do resultado

O corpo nunca acumula tensão crítica

Cada ciclo de estresse reinicia o acúmulo

Tempo de recuperação por sessão

Sessão mais leve, recuperação imediata

Sessão mais intensa, possível dor pós-trabalho

Efeito sobre o sistema nervoso

Recalibração constante — limiar de estresse aumenta

Intervenção de emergência — limiar volta ao basal

Percepção corporal

Cliente aprende a identificar tensão precocemente

Cliente percebe o problema quando já é sério


Tratar a massagem como manutenção, não como emergência, é a decisão que separa quem nunca consegue sair do ciclo de dor de quem constrói uma vida corporal diferente.


Qual frequência de sessões faz sentido para manutenção?

A frequência ideal varia por perfil, mas existe uma orientação baseada em evidências:

  • Alta exposição ao estresse (executivos, profissionais de saúde, educadores): 2 sessões por mês, intercaladas quinzenalmente

  • Exposição moderada ao estresse com atividade física regular: 1 sessão por mês, com sessão extra nos picos de demanda

  • Trabalho sedentário sem atividade física: 1 sessão por mês com foco em mobilidade e tensão postural

  • Atletas e praticantes intensos de atividade física: 2 sessões por mês, ajustadas às fases de treino e competição

  • Perfil de manutenção geral — saúde e bem-estar: 1 sessão a cada 6 semanas como mínimo eficaz


SEÇÃO 5  Como Construir Sua Rotina de Bem-Estar

O método passo a passo para uma rotina que dura


Uma rotina de bem-estar sustentável se constrói em camadas — começa simples e vai ganhando complexidade conforme os elementos básicos se consolidam. Tentar implementar tudo de uma vez é a forma mais eficiente de não implementar nada.


Passo 1 — Auditoria honesta do ponto de partida

Antes de adicionar qualquer prática, observe o que já existe. Por uma semana, anote: horário de sono e acordar, nível de energia ao longo do dia (de 1 a 10), momentos de tensão física, qualidade das refeições, tempo de tela. Sem julgamento — apenas dados. Essa fotografia do estado atual é o ponto de referência contra o qual você vai medir a evolução.


Passo 2 — Escolha um único ponto de entrada

A pesquisa sobre formação de hábitos é clara: adicionar um comportamento de cada vez tem taxa de sucesso muito superior a múltiplas mudanças simultâneas. Escolha o pilar que mais está em déficit — sono, movimento, recuperação muscular, gestão de estresse — e comece ali.

Se você não dorme bem, qualquer outro esforço de bem-estar vai ter retorno reduzido. O sono é o fundamento sobre o qual todos os outros pilares se apoiam.


Passo 3 — Ancore novos hábitos a comportamentos existentes

Em vez de criar um novo slot no dia — que compete com todos os outros compromissos — ancore o novo comportamento a algo que já acontece automaticamente. "Depois de escovar os dentes à noite, farei 5 minutos de respiração diafragmática." "Antes do almoço, farei uma pausa de 3 minutos sem tela." O comportamento existente funciona como gatilho automático para o novo.


Passo 4 — Agende a massagem como compromisso fixo, não como "quando der"

A sessão de massagem que está no calendário acontece. A que "você vai marcar quando der" raramente acontece. Trate a sessão da mesma forma que uma reunião importante ou consulta médica — com data, hora e aviso no calendário. Cancele apenas em emergências reais.

Uma estratégia eficaz: ao sair de cada sessão, agende imediatamente a próxima. Isso elimina a barreira de "ter que lembrar de marcar" — que é onde a maioria das boas intenções morre.


Passo 5 — Revise e ajuste a cada mês

Uma rotina que funciona em março pode não funcionar em julho. Carga de trabalho muda. Estações mudam. A vida muda. Reserve 20 minutos uma vez por mês para avaliar: o que está funcionando? O que não está? O que precisa ser ajustado? Não para começar do zero — para refinar o que já está em andamento.


SEÇÃO 6  Rotina Semanal Modelo

Uma estrutura de referência — adapte à sua realidade


A tabela abaixo é uma estrutura de referência — não um protocolo rígido. Use-a como ponto de partida e adapte às suas restrições reais de tempo, energia e contexto. O que não é adaptável não é sustentável.


Dia

Foco

Práticas Sugeridas

Segunda

Início da semana — corpo ativado

• Movimento leve (caminhada 20min ou alongamento)• Hidratação intencional: 2L ao longo do dia• Respiração diafragmática: 5min ao acordar

Terça

Atenção ao estresse acumulado

• Exercício moderado (30–45min)• Pausa de 5min a cada 2h de trabalho• Preparação do ambiente de sono às 21h

Quarta

Ponto crítico — meio da semana

• Autoavaliação: o que meu corpo está pedindo?• Automassagem rápida (cervical, ombros, pés)• Refeição sem tela e sem pressa

Quinta

Recuperação progressiva

• Movimento de preferência (yoga, natação, ciclismo)• Banho quente de 15–20min à noite• Leitura ou música — sem redes sociais após 21h


Quinta

Transição Trabalho-Descanso

• ✦ DIA IDEAL PARA SESSÃO DE MASSAGEM• Reduzir agenda ao essencial• Ritual de encerramento do trabalho — não deixar "tarefas mentais" abertas

Sábado

Recuperação ativa

• Atividade prazerosa e sem pressão de performance• Contato social de qualidade• Sono sem alarme

Domingo

Preparação intencional

• Planejamento leve da semana seguinte• Refeição elaborada — cozinhar é autocuidado• Sono no horário — não "quebre" o ritmo circadiano


📅  Sexta é o Dia Ideal para Massagem — Eis o Porquê

A sessão de massagem produz os efeitos mais profundos quando seguida de um período de descanso — não de retorno imediato ao trabalho ou estímulo intenso. Agendar a sessão na tarde de sexta-feira permite que o estado parassimpático induzido pela massagem se estenda pelo fim de semana, potencializando a recuperação e o sono das noites de sexta e sábado.

Sessões na segunda pela manhã têm o efeito oposto: o relaxamento profundo em conflito com a demanda de ativação do início de semana pode produzir sonolência e letargia nas primeiras horas. Para fins de recuperação e manutenção, quinta ou sexta à tarde são os slots com melhor custo-benefício fisiológico.


SEÇÃO 7  Práticas Complementares que Amplificam o Efeito da Massagem

O que fazer entre as sessões para manter o resultado


A massagem abre uma janela de mudança nos tecidos e no sistema nervoso. O que acontece nos dias seguintes determina quanto dessa mudança se mantém. As práticas abaixo não substituem a sessão — amplificam e prolongam seus efeitos.


Respiração diafragmática — 5 minutos ao dia

A respiração é o único sistema autônomo do corpo que pode ser controlado voluntariamente — e é a via mais direta de acesso ao sistema nervoso parassimpático. Cinco minutos de respiração abdominal lenta (inspiração em 4 tempos, retenção em 2, expiração em 6) reduzem o cortisol salivar de forma mensurável e reduzem a tensão muscular de base que a massagem tratou.

Prática: ao acordar, antes de pegar o celular. Simples, sem equipamento, sem tempo extra — apenas direcionamento da atenção.


Automassagem — 10 minutos, 3 vezes por semana

Não substitui o trabalho profissional, mas mantém o que a sessão iniciou. As regiões mais acessíveis e mais eficazes para automassagem regular:

  • Cervical e suboccipital: pressão firme com os polegares na base do crânio, movimentos circulares lentos. Alivia cefaleia tensional e tensão de tela.

  • Trapézio e ombros: aperto e liberação rítmica com a mão oposta. Pode ser feito sentado, em qualquer lugar.

  • Panturrilhas: rolo de espuma ou bola de tênis deslizando pela panturrilha em decúbito. Excelente para quem fica muito tempo em pé ou usa salto alto.

  • Planta dos pés: bola de tênis sob a planta do pé em posição em pé. Libera tensão fascial que sobe pela cadeia posterior do corpo.


Mobilidade articular — 10 minutos pela manhã

Ao acordar, as articulações estão rígidas pelo período de imobilidade do sono. Uma sequência simples de mobilidade — rotações cervicais suaves, circundução de ombros, rotação de quadril, flexão e extensão do tornozelo — reduz a rigidez matinal, lubrifica as articulações e prepara o corpo para o dia antes de qualquer outro esforço.


Calor local nas regiões trabalhadas

Uma compressa quente ou bolsa de água quente por 15 minutos nas regiões tratadas na sessão, no dia seguinte, mantém os tecidos mobilizados e prolonga a reorganização fascial. Especialmente útil após sessões de trabalho profundo em pontos-gatilho.


Hidratação — o mais subestimado de todos

O tecido conjuntivo — fáscia, tendões, cartilagem — é composto majoritariamente de água. Desidratação reduz a flexibilidade do tecido, aumenta a viscosidade do fluido sinovial e intensifica a dor muscular. 2 a 2,5 litros de água ao longo do dia não é sugestão de estilo de vida — é manutenção estrutural do sistema músculo-esquelético.



SEÇÃO 8  Mitos e Realidades sobre Autocuidado

Crenças que sabotam a construção de uma rotina real


Antes de terminar, vale desmontarmos os mitos mais frequentes que impedem as pessoas de construir uma rotina de autocuidado consistente.


Mito Comum

Realidade

Autocuidado é egoísmo

Autocuidado é pré-requisito. Você não pode ser útil, presente ou generoso de um reservatório vazio.

"Não tenho tempo para autocuidado"

Autocuidado mal planejado toma muito tempo. Bem integrado à rotina, ocupa menos do que as consequências de não ter.

Massagem é luxo de rico

Uma sessão mensal de massagem custa menos do que muitos analgésicos, consultas médicas e dias perdidos de produtividade por dor crônica.

Autocuidado é bolha de banho e velas

Higiene do sono, alimentação, movimento, conexões sociais, gestão de estresse — autocuidado real é estrutural, não cosmético.

Só preciso me cuidar quando estou doente

Prevenção é sempre mais eficaz e mais barata que tratamento. O corpo avisa antes de colapsar — a questão é se estamos ouvindo.

Massagem profissional pode ser substituída por automassagem

Automassagem é valiosa e recomendada. Mas não alcança a cervical profunda, a região escapular ou os pontos-gatilho profundos que mãos treinadas e externas identificam e tratam.


SEÇÃO 9  Perguntas Frequentes

Dúvidas comuns sobre autocuidado e rotina de massagem


❓  Por onde começo se nunca tive nenhuma rotina de autocuidado?

Com o menor passo possível que ainda seja real. Se você nunca dormiu no mesmo horário, comece por isso. Se você nunca bebeu 2 litros de água, comece por isso. O objetivo não é construir a rotina completa na primeira semana — é criar um ponto de ancoragem que se consolide e ao qual você possa adicionar outras camadas progressivamente. A primeira sessão de massagem, nesse contexto, é um excelente ponto de partida: você sai dela com informação sobre onde seu corpo acumula tensão, o que orienta as escolhas de movimento, postura e autocuidado complementar.


❓  Devo informar ao terapeuta sobre minha rotina e nível de estresse?

Sim — e com o máximo de detalhe possível. Quantas horas você trabalha, que postura assume durante o trabalho, qual é o nível de estresse da semana, se está dormindo bem, se fez esforço físico intenso recentemente — tudo isso informa o protocolo da sessão. Uma sessão após semana de estresse intenso e pouco sono é conduzida de forma diferente de uma sessão de manutenção em período tranquilo. Quanto mais contexto o terapeuta tiver, mais preciso será o trabalho.


❓  A massagem pode substituir a psicoterapia para gestão de estresse?

Não — e não deveria tentar. A massagem e a psicoterapia atuam em camadas diferentes: a massagem trabalha o componente somático do estresse — a tensão muscular, a ativação do sistema nervoso autônomo, os efeitos hormonais. A psicoterapia trabalha o componente cognitivo e emocional — os padrões de pensamento, as respostas aprendidas, as crenças que geram e mantêm o estresse. As duas se complementam de forma potente. Para quadros de estresse crônico severo, ansiedade clínica ou burnout, recomendamos fortemente a combinação das duas abordagens — não a escolha de uma em detrimento da outra.


❓  Como saber se minha rotina de autocuidado está funcionando?

Por indicadores concretos, não apenas pela sensação subjetiva. Compare, após 4 a 6 semanas de rotina consistente: qualidade do sono (acorda mais ou menos descansado?), nível de energia ao longo do dia, frequência de dores musculares e cefaleia, irritabilidade e tolerância ao estresse, frequência de adoecimento. Uma rotina que funciona produz mudança mensurável nessas variáveis — não apenas momentos de bem-estar durante as práticas.


❓  É normal sentir resistência para manter a rotina mesmo sabendo que faz bem?

Muito normal — e tem base neurológica. O cérebro otimiza para eficiência energética, o que significa que prefere comportamentos automáticos (os hábitos existentes) a novos comportamentos que demandam esforço consciente. Essa resistência não é fraqueza de caráter — é simplesmente como o sistema funciona. Ela diminui conforme o novo comportamento se automatiza — o que leva, em média, 66 dias de prática consistente. A estratégia mais eficaz para superar a resistência inicial é reduzir o atrito: deixar o rolo de espuma ao lado da cama, agendar a massagem com antecedência, criar lembretes visuais para a hidratação.


🔗  Entenda como a massagem melhora o sono — parte central do autocuidado → Como a Massagem Pode Melhorar a Qualidade do Sono


🔗  Saiba como a tensão muscular se acumula e como tratá-la → Tensão Muscular — Causas, Sintomas e Como a Massagem Ajuda



Autocuidado não é o Que Você Faz Quando Sobra Tempo.É o Que Garante Que Você Tenha Tempo para Tudo o Mais.

Existe uma diferença fundamental entre as pessoas que chegam ao final de cada semana exaustas e sem reserva — e as que chegam com energia suficiente para ainda estar presentes para as pessoas e para as coisas que importam. Essa diferença raramente é genética ou de sorte. É de sistema.

Um sistema de autocuidado sustentável não exige horas disponíveis. Exige decisões claras sobre o que é prioridade — e a disciplina de proteger essas prioridades das urgências cotidianas que, sem esse filtro, engoliriam tudo.

A massagem terapêutica regular é uma dessas prioridades que se paga — em menos dor, menos doenças, mais sono, mais clareza mental, mais presença. Não como promessa de spa. Como dado fisiológico bem documentado.

Na Vital Spa, trabalhamos com clientes que querem construir uma relação diferente com o próprio corpo — não de emergência em emergência, mas de cuidado contínuo e inteligente. Se esse é o tipo de resultado que você está buscando, o próximo passo é simples: agendar a primeira sessão. O resto da rotina se constrói a partir daí.




Referências Científicas

ISMA-BR — International Stress Management Association Brasil (2023). Pesquisa sobre estresse no Brasil. São Paulo.

Lally, P. et al. (2010). How are habits formed: modelling habit formation in the real world. European Journal of Social Psychology, 40(6), 998–1009.

Field, T. (2014). Massage therapy research review. Complementary Therapies in Clinical Practice. Touch Research Institute, University of Miami.

Duhigg, C. (2012). The Power of Habit: Why We Do What We Do in Life and Business. Random House, New York.

Sapolsky, R.M. (2004). Why Zebras Don't Get Ulcers: The Acclaimed Guide to Stress, Stress-Related Diseases, and Coping. 3rd ed. Henry Holt and Company, New York.

World Health Organization (2019). WHO Consolidated Guideline on Self-Care Interventions for Health. WHO, Geneva.

Stults-Kolehmainen, M.A. & Sinha, R. (2014). The effects of stress on physical activity and exercise. Sports Medicine, 44(1), 81–121.

Walker, M. (2017). Why We Sleep: Unlocking the Power of Sleep and Dreams. Scribner, New York.

McEwen, B.S. (2008). Central effects of stress hormones in health and disease. European Journal of Pharmacology, 583(2-3), 174–185.


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